Síndrome dos Ovários Micropolicísticos

O que é a síndrome dos ovários micropolicísticos?


O termo "síndrome dos ovários micropolicísticos" (também conhecida pela abreviatura, "SOMP") descreve um grupo de sintomas e de alterações nos níveis de hormônios de algumas mulheres. O nome origina-se do fato de que pacientes com esse transtorno freqüentemente (mas nem sempre) apresentam múltiplos pequenos cistos (nódulos) indolores nos seus ovários, o que pode ser visualizado por exames de ultrassom. Esses cistos são benignos. No entanto, as alterações hormonais provocadas pela síndrome podem causar sintomas importantes, com grande stress emocional para a mulher afetada.

A SOMP é uma alteração muito comum de mulheres em idade reprodutiva, podendo atingir de 4 a 10% dessa população (em média, 7%).
Quais são os sintomas da SOMP?
Os sintomas da síndrome incluem:
1) irregularidade menstrual (menstruações ausentes ou que atrasam com muita freqüência, geralmente desde a adolescência);
2) infertilidade (dificuldade para engravidar, devido à falta de ovulação - que constitui uma das queixas mais importantes dessas pacientes quando procuram o médico);
3) acne (cravos e espinhas na pele), especialmente ao redor do queixo, no tórax e no dorso;
4) excesso de pêlos no rosto (principalmente no queixo e no buço) e no restante do corpo (braços, pernas, virilha);
5) perda de cabelo, com áreas de rarefação na cabeça;
6) pele e cabelos muito oleosos.

Os últimos 4 sintomas são manifestações de excesso de hormônios masculinos, que é um dos problemas provocados pela síndrome. Algumas pacientes podem apresentar apenas um desses sintomas; outras podem apresentar um quadro mais exuberante. Nem todos esses sintomas precisam estar presentes, ao mesmo tempo, para fazer o diagnóstico de SOMP.

Cerca de 2/3 das pacientes com SOMP apresentam excesso de peso ou obesidade (principalmente quando o acúmulo de gordura acontece mais na região da barriga), mas a síndrome também pode afetar mulheres magras.

A SOMP é extremamente comum, mas muitas mulheres não sabem que são portadoras da síndrome, e podem sofrer durante anos com problemas como a dificuldade para engravidar ou o excesso de pêlos no rosto, antes de fazer o diagnóstico correto.

Qual é a causa da SOMP?

A causa exata da SOMP ainda não é bem conhecida. Suspeita-se que haja mais de uma causa. Em geral, a síndrome é causada por um desequilíbrio dos níveis de alguns hormônios importantes. O que se observa na maioria das mulheres de SOMP é um aumento dos níveis dos hormônios masculinos (andrógenos) no sangue, devido à produção aumentada desses hormônios pelos ovários. Por isso, a SOMP também é conhecida como "síndrome de excesso de andrógenos ovarianos". O principal andrógeno ovariano que aumenta na síndrome é a testosterona.

Então a SOMP é uma doença apenas dos ovários?

Não. A SOMP é uma doença complexa, relacionada ao funcionamento alterado de vários sistemas do organismo. Além do distúrbio dos ovários, as mulheres com SOMP comumente apresentam um defeito na ação da insulina, um importante hormônio que controla os níveis de açúcar (glicose) e gorduras (colesterol) no sangue. Portanto, mulheres com SOMP têm um risco aumentado de apresentar aumento da glicose (diabetes mellitus) e do colesterol (dislipidemias), o que em última análise pode aumentar seu risco de doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio, derrame cerebral etc.).

Suspeita-se que esse defeito da ação da insulina (também conhecido como resistência à insulina) desempenhe um papel fundamental no desenvolvimento da SOMP. (Leia mais sobre diabetes clicando aqui.)

Como é feito o diagnóstico de SOMP?

O diagnóstico de SOMP é feito através da história clínica e exame físico da paciente (menstruações irregulares, excesso de pêlos, acne etc.) e de alguns exames complementares.

Os exames que podem ajudar no diagnóstico são:
1) Ultrassom do útero e ovários, que pode mostrar a presença de múltiplos pequenos cistos (nodulações cheias de líquido) em ambos os ovários.
Apesar de serem comuns e de darem nome à síndrome, os cistos não estão presentes em todas as pacientes com SOMP, sendo encontrados em cerca de 80% dos casos. Da mesma forma, a simples presença de cistos não é suficiente para fazer o diagnóstico de SOMP, pois até 20% das mulheres normais, sem qualquer alteração dos níveis hormonais, podem apresentar imagens de cistos ao ultrassom. Por isso, é importante diferenciar: "ovários policísticos" (um mero achado de ultrassom) da "síndrome de ovários micropolicísticos" (um distúrbio complexo, com manifestações clínicas conhecidas e que pode apresentar ou não a imagem de ovários policísticos ao ultrassom).
2) Testosterona, que muitas vezes está aumentada;
3) Glicemia e colesterol.

Outros exames também podem ser solicitados, dependendo das características de cada paciente. É importante afastar a presença de outros problemas hormonais que podem apresentar sintomas semelhantes à SOMP, principalmente o hipotireoidismo e a hiperplasia adrenal congênita (uma doença das glândulas supra-renais que também cursa com níveis aumentados de hormônios masculinos).

Todas as mulheres com sintomas sugestivos de SOMP (veja o quadro acima) devem ser avaliadas por um especialista, para determinar a presença ou não da sindrome. O endocrinologista, um médico especializado em transtornos das glândulas e dos hormônios, pode fazer essa avaliação e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

Qual é a importância da SOMP?

A SOMP é uma das causas mais comuns de infertilidade em países desenvolvidos. Também pode causar prejuízo à qualidade de vida das pacientes, que se sentem incomodadas pelo excesso de pêlos ou pela acne, por exemplo.
No entanto, os maiores riscos da SOMP estão associados às alterações decorrentes da resistência à insulina. Esse transtorno faz com que as pacientes com SOMP tenham um risco aumentado de desenvolver diabetes.

De fato, até 30% das das pacientes com SOMP podem apresentar níveis aumentados de glicose no sangue, que às vezes só é detectado através de um teste com ingestão de açúcar via oral (o chamado teste de tolerância à glicose, ou curva glicêmica).

Além disso, mulheres com SOMP freqüentemente apresentam níveis aumentados do chamado "mau colesterol" (LDL). Elas também podem ter níveis baixos do "bom colesterol" (HDL) e níveis aumentados de outras gorduras do sangue, como os triglicérides. Todas essas alterações podem aumentar o risco de ataque cardíaco (infarto) e derrame cerebral, a longo prazo, principalmente em pacientes obesas.

Outro problema é decorrente da irregularidade menstrual e da falta de ovulação, que fazem com que a camada de revestimento interno do útero (o endométrio) não seja descamado e substituído regularmente (a cada mês).
Se esse problema não for tratado, há um aumento do risco de desenvolvimento de câncer do útero.

Como é o tratamento da SOMP?

Embora a SOMP não seja curável, há vários tratamentos disponíveis atualmente que podem equilibrar os níveis hormonais de maneira satisfatória e resolver vários dos problemas associados à síndrome.

Pacientes obesas ou com excesso de peso sempre devem ser aconselhadas a perder peso, através de uma alimentação saudável (com menor ingesta de calorias) e aumento da atividade física. Muitas vezes, apenas essa perda de peso é suficiente para aliviar muitos dos sintomas da síndrome, mesmo com perdas modestas (de 5 a 8Kg, por exemplo).

Medicações também podem ser usadas para controlar os sintomas da SOMP. Os anticoncepcionais orais, principalmente aqueles que contêm medicamentos que combatem os hormônios masculinos (por exemplo: acetato de ciproterona e drospirenona), ajudam a tratar a irregularidade menstrual e minimizam a acne e o excesso de pêlos, quando utilizados por vários meses. Estão melhor indicados em pacientes com SOMP que não desejam engravidar.

Mais recentemente, muitos médicos estão preferindo tratar a SOMP com medicações que agem melhorando a resistência à insulina, visto que este parece ser um dos principais mecanismos envolvidos no desenvolvimento da síndrome. Entre essas medicações, a mais utilizada é a metformina, um medicamento originalmente criado para o tratamento de diabetes, mas que provou ser efetivo em reduzir os níveis de insulina, melhorar a irregularidade menstrual, diminuir os pêlos e a acne (embora de maneira não tão evidente quanto com os anticoncepcionais), provocar perda de peso e aumentar a fertilidade de mulheres com SOMP. A metformina ajuda mulheres com SOMP a engravidar, visto que é capaz de aumentar a taxa de ovulação dessas pacientes e parece ter um papel em prevenir abortos precoces. Já foi utilizada inclusive durante a gravidez, aparentemente sem grandes riscos para a mãe ou o feto, mas o seu uso nesta situação ainda não é um consenso entre os especialistas. Mais interessante ainda é o fato de que o uso de metformina, por melhorar a ação da insulina, melhora os níveis de glicose e colesterol, e pode ajudar a prevenir as complicações mais sérias da SOMP, que são o diabetes e as doenças cardiovasculares.

Por essa razão, a metformina está sendo cada vez mais utilizada para o tratamento da SOMP, tanto em pacientes obesas como nas magras. Outras medicações que agem melhorando a resistência à insulina mas que ainda não são tão estudadas são a pioglitazona e a rosiglitazona.

Há também tratamentos específicos para induzir a ovulação e obter a gravidez, como o uso de citrato de clomifeno e de gonadotrofinas, que devem ser utilizados sob a supervisão de um ginecologista experiente em reprodução humana.
Também há medicações para reduzir os efeitos dos hormônios masculinos, como a espironolactona e a flutamida.  Essas medicações sempre devem ser tomadas junto com anticoncepcionais, visto que podem ser prejudiciais ao feto se a paciente engravidar fazendo uso das mesmas.

Por último, tratamentos para reduzir o excesso de pêlos, como a depilação (usando lâmina, cêra, eletrólise ou laser) ou o uso de cremes que reduzem o crescimento dos pêlos (como a eflornitina) podem ser usados para melhorar o aspecto estético e a auto-estima das pacientes.
Fonte: www.portalendocrino.com.br
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12 comentários:

  1. Olá!

    Venha conhecer o meu Brechó Virtual!

    Enquanto Durar o Estoque Brechó!

    http://edebrecho.blogspot.com/

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  2. oi amiga qnto tempo faz que não passo nesse seu cantinho mara.....e como sempre com boas dicas!
    amiga amei a reportagem sobre desfralde.Estou começando devagar com o Lipe, ele esta com 1 ano e 7 meses, mas deixo tudo de acordo com a vontade dele!
    adorei as fotos da festinha....que linda a gio já no maternal I.O Lipe vai esse ano para o maternal I.
    Beijos enormes em vcs!
    Juh e Lipe

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  3. Oi Ju, q bom q veio!

    É isso mesmo não dá pra ter pressa, desfraldar é tb muita paciência.

    bjss mil

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  4. OI, eu sou maggie, e tenho SOMP, nossa meu sonho é a maternidade, estou casada a pouco tempo, mas é um desejo mutuo! estou atraz do tratamento ma ainda nao omecei, p/ falar a verdade so fiz marcar a gine mesmo! mas é isso ai, tambem teno um blog p/ contar minhas futuras esperiencias, duvidas etc! da uma passada la..bjinho e parabens pela conquista!

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  5. ola gostei muito do seu blog ,eu tenho ovarios micropolisistico,estou tentando engravidar a 5 anos estou fazendo tratamento,por isso me identifiquei com seu blog. gostaria de saber se vc conhece alguem que tem ovario micropolicistico e engravidou.abraços Deise

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  6. Oi Deise, com certeza, muitos casos.

    Tratar e persistir é a receita amiga!

    bjo

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  7. bom dia seu blog é otimo! tbm tenho ovarios micrpolicisto.mais isso me impede de engravidar ?vc conhecem alguém que ja engravidou dentro dessas condições?

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    1. Oi, com certeza, conheço muitos casos, aliás, acho que todas as que já passaram por aqui com o mesmo problema já conseguiram.

      Mesmo em casos mais crônicos, com o tratamento adequado tudo se resolve.

      O 1o passo é encontrar um bom médico, que saiba realmente lidar com isso, peça exames e avalie se há ou não a síndrome, quais os hormônios alterados, se há ou não ovulação e consiga definir o tratamento adequado.

      Aqui tem uma seção só com informações sobre o assunto que pode te ajudar http://anunes.e-familyblog.com/category/744/

      bj

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  8. Oi,meu nome é Pamela eu tenho ovários micropolicisticos,e,meu sonho é engravidar estou tentando descobri recentemente.Alê será que eu vou demorar muito para arrumar meu bebe tendo este problema?

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    1. Oi Pamela, geralmente não há muitas complicações para conseguir engravidar, basta tratar adequadamente, por isso é muito importante o acompanhamento de um bom médico.

      bjo

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  9. Olá, meu nome é Yolanda e tenho 24 anos.
    Tenho SOMP, descobri a pouco mais de 2 anos. Dos 6 sintomas e tenho 5.
    Já ouvi 3 opiniões profissionais, dessas 3, dois me disseram que eu tenho que emagrecer. Um me receitou um remédio (Provera) sem nem me pedir nenhum outro exame. E o terceiro, é um clínico geral que consultei ontem, ele me disse que o tratamento para a SOMP é engravidar...
    Consultei com esse médico porque acordei com uma dor insuportável na barriga, eram meus cistos inchando...
    Vou procurar meu ginecologista e perguntar sobre esses remédios.
    Adorei seu blog!!!
    Beijos!!!!!!

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  10. Oi querida, o provera é apenas um remédio para fazer vc menstruar, não trata a SOMP.

    O ideal é procurar um bom ginecologista e/ou um endocrinologista, eles vão avaliar corretamente e te indicar o melhor tratamento.

    Que bom que gostou do blog, :o)

    bjo

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